domingo, 24 de novembro de 2013

GRAVIDEZ SEMANA A SEMANA



A gravidez é uma fase única da vida da mulher e do seu filho. Deve ser vivida com a maior tranquilidade e bem-estar possíveis. Este texto pretende esclarecer dúvidas e abordar as alterações processadas no decurso da gestação, de modo a facilitar o entendimento das mesmas. Não substitui, de modo nenhum, a vigilância de rotina da gravidez e os cuidados/conselhos prestados pelo seu médico assistente.
Por convenção determinou-se que para a datação da gravidez se considera o 1º dia da última menstruação como o "dia zero". E contam-se semanas consecutivas após este dia. Assim, em termos técnicos, falamos em semanas e não em meses.
É respeitando esta nomenclatura que desenvolvemos este texto abordando as alterações ocorridas na grávida e no embrião/feto nas diferentes etapas da gestação.

00 - 04 Semanas
Fecundação Implantação
Falta Menstrual
Teste Gravidez
Durante o coito são lançados na vagina cerca de 100 a 200 milhões de espermatozoides. Destes, apenas uma pequena parte progride até ao interior do útero e chega às trompas.
O óvulo que se liberta do ovário (ovulação) por volta do 14º dia do ciclo menstrual é captado pela trompa permitindo o potencial contato com os espermatozoides. A fecundação, que consiste na fusão do espermatozóide com o óvulo, dá origem ao zigoto (1º célula com material genético materno e paterno). Esta célula rapidamente se multiplica formando o embrião.
Por volta do 5º ao 7º dia após a ovulação ocorre a implantação , ou seja, a fixação do embrião à cavidade uterina onde irá posteriormente crescer e desenvolver-se.
Estes fenómenos (fecundação e implantação são impercetíveis à grávida)

04 - 08 Semanas
Grávida
Embrião
Aparecimento dos primeiros sintomas
Durante a gravidez ocorrem uma série de alterações ao nível de praticamente todos os órgãos e sistemas da mulher.
Estas alterações são causadas por uma série de alterações hormonais típicas deste período.
Os sintomas mais frequentes no início da gestação são:
Náuseas e vómitos
São dos sintomas mais frequentes, afetando cerca de 50 a 90 % das grávidas. Habitualmente iniciam-se por volta das 5-6 semanas e, em regra, desaparecem após as 12-16 semanas, no entanto, podem manter-se até ao final da gravidez (em 15 a 20 % das grávidas).
Carateristicamente estes sintomas são mais frequentes de manhã, em períodos de jejum ou situações específicas como escovar os dentes ou presença de cheiros ativos. Têm tendência a melhorar ao longo do dia.
Como minorar os sintomas?
Fazer pequenas refeições frequentes, comer antes de se levantar (ex. ter bolachas de água e sal na mesa de cabeceira), evitar odores intensos e evitar períodos de jejum prolongado. Quando estas medidas gerais não são suficientes pode ser necessário tomar medicamentos que atenuam os sintomas e que são seguros durante a gravidez (consultar o seu médico)
Sinais de alarme:
Deve procurar ajuda médica rapidamente quando:
- existem outros sintomas (ex: febre, diarreia, dor abdominal ou vertigens) para além dos vómitos.
- os vómitos são tão frequentes que a impeçam de se alimentar ou beber líquidos.
Curiosidade:
É interessante constatar que as grávidas que sofrem de náuseas e vómitos têm menor probabilidade de abortar.
Tensão mamária
Pode ser dos primeiros sinais de gravidez. As mamas ficam tensas, dolorosas e podem aumentar de volume. Estas alterações devem-se à ação das hormonas: HCG, Progesterona e estrogénios.
Sono e cansaço
As grávidas no primeiro trimestre sentem-se mais cansadas e têm mais sono do que em circunstâncias normais. Estes sintomas melhoram geralmente no segundo trimestre.
A primeira consulta pré-natal
É nesta altura que deve ocorrer a primeira consulta pré-natal. A gravidez pode ser vigiada pelo médico de família ou por um obstetra. No caso de se tratar de gravidez de risco pode ser necessário o acompanhamento no hospital.
Na primeira consulta o médico fará uma série de perguntas sobre a sua história clínica e sobre a situação atual. É importante registar e saber quando foi o primeiro dia da sua última menstruação, de modo a poder datar-se a gravidez.
Geralmente é feita observação ginecológica e eventualmente citologia do colo uterino (Papanicolau) caso a última tenha sido realizada há mais de 1 - 2 anos.
Ser-lhe-ão pedidas as primeiras análises de rotina que deve fazer em jejum.
Deve iniciar ou continuar (se já estava a tomar anteriormente) a suplementação com ácido fólico.
É feito aconselhamento sobre alimentação e outras medidas:
- Deve fazer uma dieta variada e polifracionada
- Não deve passar mais de 3 horas sem comer
- Deve beber, pelo menos, 1,5 a 2 litros de água por dia
- Deve beber, pelo menos, 500 a 750 ml de leite por dia
- Deve evitar os alimentos açucarados (bolos, gelados, bolachas, etc.)
- Deve evitar refrigerantes ou bebidas gaseificadas
- Não deve fumar
- Não deve beber álcool
- Se está habituada, pode tomar café (até 2 chávenas por dia)
- Se não está imune para a toxoplasmose:
- Não contactar com gatos
- Não comer carne mal cozinhada (nem enchidos, nem fumados)
- Não comer alimentos provenientes da terra (vegetais, morangos, etc.) mal lavados
- Evitar mexer em terra ou em carne crua diretamente com as mãos (usar luvas)
Quando existem dúvidas sobre a data da última menstruação pode ser feita uma ecografia inicial para datar devidamente a gravidez.

08 - 12 Semanas
Grávida
Embrião / Feto
Sintomas
As náuseas e vómitos mantêm-se, em regra, até às 12 semanas, atingindo o seu auge às 9 semanas.
A tensão mamária tem tendência a melhorar nesta altura embora o volume mamário se mantenha aumentado.
O sono e o cansaço mantêm-se, também, até ao final do 1º trimestre (12 semanas) melhorando em seguida progressivamente.
Suplementos
Manter o ácido fólico.

Exames a realizar
A primeira ecografia de rotina é realizada entre as 11 semanas + 0 dias e as 13 semanas + 6 dias e tem como objetivos:
- Verificar se é uma gravidez de feto único ou se são gémeos
- Verificar se a gravidez é evolutiva, ou seja, se o feto está vivo
- Excluir a existência de malformações graves de aparecimento precoce (ex: ausência de crânio ou de um membro)
- Medir a translucência da nuca (medida de uma estrutura na nuca do feto)
A medida da translucência da nuca serve para rastrear a existência de trissomia 21. Assim, quando esta medida se encontra acima de determinados valores (que variam consoante o comprimento crânio-caudal do feto) significa que aquele feto tem maior risco de ser portador de trissomia 21. A sensibilidade deste rastreio é de cerca de 70%.
Pode, opcionalmente, ser realizado outro teste de rastreio da trissomia 21 chamado rastreio combinado do primeiro trimestre (também conhecido como rastreio bioquímico ou rastreio prenatal) que consiste na colheita de sangue à grávida para se determinarem as concentrações de 2 substâncias (B-HCG livre e PAPP-A). Esta colheita deve ser realizada entre as 9 e as 13 semanas + 6 dias. Este teste avalia o risco de trissomia 21, tendo em consideração a análise sanguínea, a idade da grávida e a medida da TN e tem uma sensibilidade de 80-90 %.
Caso os resultados dos testes de rastreio sejam positivos (risco aumentado) é oferecida a possibilidade da grávida realizar um teste de diagnóstico (Amniocentese ou biópsia das vilosidades coriónicas). Estes testes de diagnóstico são invasivos e associam-se a risco de aborto, pelo que, não são realizados a todas as grávidas ficando reservados para situações que os justifiquem como acima explicado.

12 - 16 Semanas
Grávida
Feto
Sintomas
Finalmente os sintomas do 1º trimestre melhoram significativamente ou cessam por completo.
A barriga é ainda pouco proeminente, no entanto, é mais notória nas mulheres magras e nas grávidas que já foram mães anteriormente (pois os músculos abdominais encontram-se mais distensíveis).
Suplementos
Deve manter o ácido fólico.
A partir das 16-18 semanas as necessidades de ferro aumentam significativamente, pelo que, é necessário iniciar a suplementação de ferro, uma vez que o consumido através da dieta não é suficiente. Existem no mercado medicamentos que contêm estes 2 suplementos juntos (ácido fólico + ferro), no entanto, pode optar por tomar separadamente.
O ferro pode ser tomado sob a forma de comprimidos ou sob a forma de ampolas bebíveis. De referir que o ferro pode causar sintomas gastrointestinais como obstipação, dores abdominais ou náuseas.
As fezes tornam-se geralmente escuras (quase pretas) e isso não é preocupante.
A maioria dos preparados com ferro devem ser tomados fora das refeições para melhorar a absorção. Não tomar junto com leite.
Exames a realizar
É nesta altura que se conhecem os resultados dos exames explicados anteriormente (ecografia das 12 semanas e rastreio combinado do 1º trimestre).
Caso os resultados dos testes de rastreio sejam positivos (risco aumentado de trissomia 21) é oferecida a possibilidade da grávida realizar um teste de diagnóstico (amniocentese ou biópsia das vilosidades coriónicas).
Estes testes de diagnóstico são invasivos e associam-se a risco de aborto, pelo que, não são realizados a todas as grávidas ficando reservados para situações que os justifiquem como acima explicado.

16 - 20 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter o ácido fólico e o ferro
Sintomas
Geralmente esta fase da gravidez cursa sem sintomas significativos embora muitas grávidas refiram um aumento do apetite no 2º trimestre.
É necessário manter uma dieta equilibrada e não esquecer de comer regularmente e em pouca quantidade de cada vez. Evitar os alimentos açucarados.
As grávidas que já foram mães anteriormente podem começar a sentir os movimentos fetais por volta das 18 semanas, uma vez, que os conseguem reconhecer por já os terem percecionado anteriormente.
Exames a realizar
A partir das 15 semanas pode ser realizado, opcionalmente, outro teste de rastreio chamado rastreio bioquímico do 2º trimestre.
É também uma análise de sangue que determina as concentrações de certas proteínas (HCG, alfafetoproteína, inibina e estriol) e permite avaliar o risco de trissomia 21. Tem uma sensibilidade menor que o rastreio do 1º trimestre mas pode ser usado como seu complemento, ou ainda, nos casos de ter falhado a realização do teste do 1º trimestre.
Não são necessários outros exames nesta fase.

20 - 24 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter ácido fólico e ferro.
Exames a realizar
A ecografia do segundo trimestre também designada ecografia morfológica realiza-se entre as 20 e as 23 semanas e é uma das ecografias mais importantes pois tem como principal objetivo avaliar as estruturas anatómicas do feto na tentativa de detetar eventuais malformações.
Desta ecografia faz parte a visualização das seguintes estruturas:
- crânio
- sistema nervoso central
- face (orbitas, nariz e lábios)
- tórax
- coração
- diafragma
- estômago
- rins
- bexiga
- membros superiores e inferiores
- genitais externos (determinação do sexo)
- coluna
- parede abdominal
Caso se detete alguma malformação pode ser necessária a realização de exames adicionais como o ecocardiograma ou a amniocentese.
É permitido segundo a lei Portuguesa a interrupção médica da gravidez em caso de malformação grave até às 24 semanas de gestação.
O ecocardiograma fetal só é necessário em situações especiais como a suspeita de malformação cardíaca, a existência de história familiar de cardiopatias, a ingestão de fármacos durante a gravidez capazes de induzir malformações, etc. Este exame consiste na realização de uma ecografia detalhada ao coração fetal realizada geralmente por um cardiologista pediátrico.
Não são necessárias análises sanguíneas nesta fase.
Sintomas
É por volta das 21 semanas que uma mulher que nunca tenha tido filhos anteriormente, inicia a perceção dos movimentos fetais. Os primeiros movimentos sentidos são subtis e assemelham-se aos movimentos do intestino sendo muitas vezes confundidos.
Nesta fase da gravidez a barriga já é claramente percetível e o útero estende-se até à altura do umbigo. Os sintomas desagradáveis do início da gestação já não se fazem sentir.

24 - 28 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter ácido fólico e ferro.
Exames a realizar
Está na altura de realizar as segundas análises da gravidez. Estas incluem o rastreio/diagnóstico da diabetes gestacional. É necessário colher sangue em jejum (de, pelo menos, 8 horas) e em seguida beber um preparado muito açucarado (contendo 75 g de glicose). Posteriormente repete a colheita 1 hora e 2 horas após a referida ingestão.
A diabetes gestacional é uma intolerância aos açúcares diagnosticada durante a gravidez. Pode trazer algumas complicações sendo a macrossomia fetal (fetos excessivamente grandes) a mais frequente. Controla-se geralmente com dieta e exercício físico, sendo excecional a necessidade de medicar com insulina. Em regra, resolve-se com o final da gravidez. Contudo, as grávidas que tiveram diabetes gestacional têm maior risco de vir a desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde na vida.
Sintomas
É, geralmente, uma fase de grande bem-estar.
Os movimentos fetais são muito percetíveis.
A barriga cresce notoriamente e é recomendado o uso de cinta ou faixa adaptadas à gravidez que ajudam a suportar o peso da barriga e exercem um reforço lombar importante para a manutenção da estática da coluna.
Nesta fase da gravidez é importante ter o cuidado de dormir sempre de lado e evitar a posição deitada com a barriga para cima, uma vez que o peso do feto e do útero são consideráveis e podem comprimir os vasos sanguíneos que passam atrás do útero comprometendo a normal circulação.

28 - 32 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter ácido fólico e ferro.
Exames a realizar
Não existem exames especiais a serem realizados nesta altura. No entanto, deve ser agendada a ecografia do terceiro trimestre.
Às 28 semanas as grávidas cujo grupo de sangue seja negativo e o do companheiro positivo devem fazer uma vacina chamada imunoglobulina anti-D para evitar complicações numa futura gravidez, relacionadas com a incompatibilidade de sangue.
Sintomas
Embora para a maioria das grávidas este seja um período de bem-estar e com poucos sintomas incomodativos, algumas podem começar a experimentar determinados "desconfortos":
- Dor nas costas
É relativamente frequente e deve-se a alterações que o peso e o volume da barriga condicionam sobre a coluna. As grávidas com excesso de peso são mais suscetíveis. Um modo de minorar este sintoma é usar a cinta de gravidez que ajuda a suportar o peso da barriga e a corrigir a postura. Outras medidas que podem ajudar são: exercícios de alongamento dos músculos dorso-lombares, uso de calçado confortável (os sapatos completamente rasos não são os mais indicados sendo preferível um pequeno salto), evitar estar em pé parada durante longos períodos e fazer calor local.
- Pernas inchadas
Manifesta-se predominantemente ao final do dia e é mais frequente no final da gravidez e nos períodos de maior calor. O inchaço (edema) deve-se ao fato do útero, pelo seu volume, dificultar o retorno do sangue dos membros inferiores para o coração (retorno venoso). As melhores maneiras de minorar este desconforto são: repousar com as pernas elevadas e usar meias de descanso.
- Obstipação
Pode aparecer desde as fases mais iniciais da gravidez e deve-se ao fato da progesterona (hormona que se encontra em concentrações elevadas durante a gestação) ser relaxante dos músculos que constituem a parede do intestino, provocando um relentamento do trânsito intestinal. Por outro lado, o próprio volume uterino também dificulta a progressão das fezes. Este problema pode melhorar com algumas medidas gerais, como por exemplo: beber pelo menos 1,5 a 2 litros de água por dia, aumentar o consumo de verduras, fibras e algumas frutas (kiwi e ameixa) e ter uma vida pouco sedentária. No caso das medidas anteriores não se revelarem suficientes deve consultar o seu médico e poder-lhe-á ser prescrito um laxante.

32 - 36 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter ácido fólico e ferro.
Sintomas
Nesta fase a barriga encontra-se bastante proeminente e pode condicionar algum desconforto e limitações à mobilização.
Podem existir perturbações do sono por dificuldade de posicionamento ou pela presença de insónias. É essencial que a grávida durma preferencialmente de lado.
Pode colocar uma almofada entre os joelhos de modo a sentir-se mais confortável.
Há determinados sintomas que são relativamente frequentes nesta fase:
- Azia e pirose
Estes sintomas referem-se à sensação de ardor / queimadura no estômago e no esófago. São queixas muito frequentes que se devem à presença de refluxo gastro-esofágico, ou seja, o conteúdo ácido do estômago reflui para o esófago originando a sensação de ardor/queimadura. Este refluxo aparece durante a gravidez porque o esfíncter (músculo) que separa o estômago do esófago se encontra mais relaxado (por ação da progesterona) e porque o estômago se encontra empurrado e comprimido pelo útero gravídico. Existem medidas gerais que permitem aliviar esta sintomatologia: evitar o consumo de alimentos gordos ou ácidos, não se deitar ou inclinar para a frente após as refeições, dormir com a cabeceira da cama ligeiramente elevada, evitar ingerir líquidos em grandes quantidades de uma só vez. Nos casos em que estas medidas não se revelam suficientes deve consultar o seu médico que poderá prescrever-lhe medicação específica.
- Hemorroidas
Correspondem a dilatações das veias do ânus e do reto que são percetíveis por se tornarem proeminentes. O seu aparecimento durante a gravidez deve-se a vários fatores como a obstipação (frequente na gravidez)
e a dificuldade no retorno venoso (como explicado anteriormente no contexto das pernas inchadas). Para alívio das hemorroidas deve evitar-se a obstipação e podem usar-se pomadas locais que minoram o desconforto embora não as tratem em definitivo.
Se as hemorroidas se tornarem extremamente dolorosas e tumefactas deve consultar rapidamente o seu médico pois pode tratar-se de uma trombose hemorroidária, situação que necessita de uma pequena intervenção cirúrgica urgente.
Exames a realizar
A ecografia do 3º trimestre é realizada por volta das 32 semanas e tem como objetivos avaliar:
- A posição do feto (cefálico: quando está de cabeça para baixo ou pélvico: quando se encontra sentado)
- Estimar o peso fetal (o peso é calculado automaticamente após serem realizadas medidas do perímetro cefálico, diâmetro biparietal, perímetro abdominal e comprimento do fémur)
- A localização da placenta (saber se a localização é normal ou se, pelo contrário, se encontra baixa ou até mesmo prévia, o que significa que oclui o orifício interno do colo do útero impossibilitando um parto por via vaginal)
- Os sinais de bem-estar fetal (quantidade de líquido amniótico, movimentos fetais, movimentos respiratórios e por vezes avaliação da circulação fetal)
A estimativa do peso fetal numa determinada idade gestacional permite classificá-lo em percentis, sendo que o percentil 50 é o mais frequente, o percentil 90 é o limite superior do normal e o percentil 10 o limite inferior do normal.
As últimas análises de sangue e urina são, também, realizadas por volta das 32 semanas. Estas análises incluem os rastreios das principais doenças infeciosas como o Vírus da imunodeficiência Humana (VIH), a hepatite B, a sífilis, a toxoplasmose e as infeções urinárias.
Entre as 35 e as 37 semanas deve realizar-se uma colheita de exsudado vaginal e retal para pesquisa de streptococos do grupo B, uma bactéria que não é agressiva para a grávida nem para o feto durante a gravidez mas pode ser perigosa para o recém-nascido se for contaminado durante o parto. Assim, no caso da grávida ser portadora da bactéria deve fazer antibiótico por via endovenosa durante o trabalho de parto.

36 - 40 Semanas
Grávida
Feto
Suplementos
Manter ácido fólico e ferro.
Exames a realizar
Nesta fase da gravidez a periodicidade das consultas pré-natais deverá ser semanal.
A realização do CTG (cardiotocograma) nas gestações de baixo risco deve iniciar-se às 40 semanas ou antes se existir qualquer situação que o justifique (ex.: diminuição dos movimentos fetais, fetos pequenos, etc.).
O CTG é um exame que avalia a frequência cardíaca fetal (e a resposta aos movimentos fetais) e as contrações uterinas.
A frequência cardíaca fetal (FCF) é considerada normal entre os 110 e os 160 batimentos por minuto. A aceleração da FCF coincidente com os movimentos fetais é um sinal de bom prognóstico.
Sintomas
Às 37 semanas inicia-se o termo, ou seja, é a idade gestacional a partir da qual é normal o bebé nascer.
As contrações podem ser percecionadas com alguma frequência e intensidade.
Os sinais /sintomas que devem levá-la à Maternidade são:
- contrações regulares de 5 em 5 ou 10 em 10 minutos, durante, pelo menos, 1 hora
- perdas de sangue por via vaginal
- perdas de líquido por via vaginal
- diminuição ou ausência de movimentos do feto
Os movimentos fetais devem ser contabilizados pela grávida e há duas formas de o fazer:
- Avaliação subjetiva de que o feto mexe o habitual e segundo o seu ritmo
- Contagem objetiva do número de movimentos fetais desde que acorda. O 10º movimento deve ocorrer antes de terem passado 12 h
Caso constate uma diminuição subjetiva ou objetiva dos movimentos deve dirigir-se à maternidade.
A perda do rolhão mucoso (substância gelatinosa, consistente que pode ter cor branca, acastanhada ou rosada) não obriga a procurar de imediato o seu médico.
É apenas um sinal de que o colo do útero se está a preparar para o parto podendo antecedê-lo por horas ou mesmo dias.
Nas últimas semanas de gravidez a mulher pode sentir-se desconfortável e estar ansiosa pelo nascimento do seu filho, no entanto, em condições normais, o parto não deve ser provocado (induzido) antes das 41 semanas.
 Sinais de alarme (3º trimestre)
Os seguintes sinais devem alertá-la para a necessidade de ser observada pelo seu médico assistente com urgência ou de se dirigir à Maternidade:
- Contrações: se forem regulares e dolorosas
- Perda de líquido por via vaginal: suspeita de perda de líquido amniótico
- Perda de sangue por via vaginal: as hemorragias necessitam de avaliação médica, qualquer que seja a idade gestacional
- Diminuição dos movimentos fetais: se o feto não mexe, pelo menos, 10 vezes em 12 horas ou se mexe muito menos que o habitual
- Subida da tensão arterial: Se a tensão arterial aumentar para valores superiores ou iguais a 140 mmHg de máxima e/ou 90 mmHg de mínima
- Edemas generalizados: Se se encontrar com inchaços em todo o corpo nomeadamente face, mãos e pernas
- Cefaleias intensas: Dores de cabeça fortes que não cedem ao paracetamol
- Alterações da visão: Queixas de visão turva ou ver manchas escuras ou pontos luminosos

Parto
O parto é o acontecimento para o qual a grávida se preparou ao longo dos nove meses. A data mais provável do parto ocorrer corresponde às 40 semanas de gestação. No entanto, o parto pode ocorrer entre as 37 e as 42 semanas - intervalo denominado termo. No caso de ocorrer antes das 37 semanas designa-se parto pré-termo ou prematuro.
Para que se dê um parto por via vaginal (chamado parto normal) é necessária a ocorrência de 2 fenómenos em simultâneo:
- A dilatação do colo do útero (até aos 10 cm)
- A descida do feto ao longo do canal de parto
As contrações uterinas são as principais responsáveis pelo progredir do trabalho de parto, sendo por isso essenciais. No entanto, são dolorosas e, por vezes, difíceis de tolerar. Atualmente, existe a possibilidade de realizar epidural que consiste numa analgesia loco-regional realizada através da administração de fármacos anestésicos/analgésicos no espaço epidural (na coluna) permitindo um alívio significativo da dor.
O trabalho de parto pode durar longas horas, em particular, nas grávidas que serão mães pela primeira vez. Durante este tempo as grávidas devem ser vigiadas e o feto deve ser monitorizado (geralmente através do CTG) para que se detetem atempadamente situações de potencial sofrimento fetal.
Quando se atinge a dilatação completa deve aguardar-se pela descida do feto no canal de parto. A determinada altura a grávida é instruída a realizar esforços expulsivos. Por vezes, é necessário realizar episiotomia, ou seja, fazer um corte no períneo de modo a facilitar a expulsão.
Quando esta expulsão não ocorre naturalmente pode ser necessário instrumentar o parto usando fórceps ou ventosas.
Quando o bebé nasce é colocado em cima do ventre materno e posteriormente corta-se o cordão umbilical. Em seguida, dá-se a expulsão da placenta (dequitadura).
Existem determinadas situações clínicas que obrigam à realização de uma cesariana, no entanto, esta deve ser entendida como uma solução de recurso. As cesarianas são cirurgias e associam-se a um maior risco de complicações quando comparadas com os partos por via vaginal. Estas intervenções podem ser realizadas com epidural podendo a grávida ficar acordada durante o procedimento permitindo um contato imediato com o recém-nascido.

Puerpério
Chama-se puerpério ao período de 6 a 8 semanas que se segue ao parto e durante o qual ocorrem uma série de alterações que visam a regressão das modificações que se verificaram no corpo da mulher durante a gravidez.
A duração da permanência na maternidade depende do tipo de parto:
- se foi parto normal a alta ocorre ao fim de 2 dias
- se foi cesariana a alta será dada, em regra, ao 3ºdia
Os pontos ou agrafos da cicatriz da cesariana devem ser retirados por volta do 8ºdia e os pontos da episiorrafia (sutura do períneo), em princípio, não necessitam de ser removidos pois caiem por si ou são absorvidos pelo organismo.
Cuidados a ter:
- Não fazer esforços excessivos
- Não tomar banhos de imersão
- Não ter relações sexuais enquanto perder sangue
- Continuar a tomar o ferro e o ácido fólico no 1º mês pós-parto
- Descansar nos períodos em que o bebé o permite
- Marcar a consulta de revisão de parto 4 a 6 semanas após o mesmo
- Se re-iniciar a atividade sexual deve usar contraceção, mesmo que esteja a amamentar
Sinais de alerta: que a devem levar a procurar ajuda médica:
- febre
- corrimento vaginal com cheiro desagradável
- dores fortes de barriga
- hemorragias por via vaginal
- queixas urinárias
- sintomas depressivos
Os sintomas depressivos (ex: choro fácil, labilidade emocional, cansaço) são muito frequentes no pós-parto, no entanto, são geralmente suaves e auto-limitados. Se forem sintomas graves, incapacitantes e persistentes deve procurar rapidamente ajuda médica pois pode tratar-se de uma depressão.
A recuperação física após o parto depende de mulher para mulher. Contudo, as puérperas devem manter os cuidados alimentares e praticar exercício físico moderado. Se o parto ocorreu por cesariana não fazer exercício físico vigoroso, pelo menos, nos 2 primeiros meses.


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